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22/05/2020 às 17h33

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Jediel

TERRA DO NOVA DO NORTE / MT

Mafia 2: Definitive Edition revive glamour da série em ritmo de banho-maria
A máfia ostenta uma palavra que parece ter sido inventada só para ela: glamour.
Mafia 2: Definitive Edition revive glamour da série em ritmo de banho-maria

A máfia ostenta uma palavra que parece ter sido inventada só para ela: glamour. Respirar os tempos áureos das gangues ítalo-americanas é algo que o entretenimento já ofereceu em todas as mídias possíveis, especialmente no cinema, com grandes nomes que passaram pela linha do tempo e trouxeram seu sotaque macarrônico.


É por isso que, nos games, a franquia Mafia se livra de quaisquer firulas no nome e se empodera dessa forma: não há qualquer ambiguidade em saber exatamente a proposta que a série entrega se alguém desinformado fizer um julgamento cru apenas com base no título que ela tem.


O primeiro, de 2002, antes de ser publicado pela 2K, mostrou o taxista Tommy Angelo se envolvendo com a máfia da fictícia cidade de Lost Heaven, que é uma espécie de mistura entre Nova York, Chicago e Los Angeles. Com as mesmas inspirações arquitetônicas e já sob o guarda-chuva da 2K, Mafia 2 nasceu 8 anos depois, em 2010, no PS3, Xbox 360 e PC – e, é claro, com ambições de expandir tudo que seu antecessor implementou.


Após uma década, a remasterização, batizada como a tradicional edição definitiva, chega para PS4, Xbox One e PC. O glamour permanece intacto, mas e a parte técnica? O macarrão saiu al-dente, mas o molho carece de tempero.


Bem-vindo à família


Em nome da transparência, é conveniente refrescar a memória para introduzir a mensagem a quem nunca jogou essa poesia mafiosa de 2010, que parece ter saído de um livro de Mario Puzo, autor de O Poderoso Chefão e O Siciliano. Uma jornada que respeita os códigos de conduta de grupos mafiosos com ascendência italiana na América. Aliás, só podia fazer parte da família quem tivesse origem lá na terra dos nossos compatriotas europeus.


Ambientado na década de 1940, Mafia 2 conta a história de Vito Scaletta, veterano da Segunda Guerra Mundial – cujas mazelas deixavam o mundo de joelhos – que viaja para os Estados Unidos em busca de uma vida melhor. Para isso, o ex-combatente conta com a ajuda de Joe, amigo de infância que mais parece uma versão italiana do personagem Saul Goodman, o advogado infame das séries Breaking Bad e Better Call Saul.


Como manda a cartilha da temática gângster, Vito também precisa pagar uma dívida do pai a um agiota. Outra tradição dessa roupagem é a quantidade de subtramas: os personagens são explorados dentro de seus próprios dramas e histórias, que acontecem de forma alheia à jornada de Vito.


<p><img src="http://gazetadonortao.com.br/envios/0d4027de8fb4ea3f081cace30227455f87c002c8.jpg" style="float: left; width: 100%; margin: 10px 0;" /></p>


Mundo aberto sem tanta abertura


Embora seja concebido como mundo aberto, a verdade é que Mafia 2 obedece a uma linearidade na ordem das missões; ele é comparável, sim, a GTA e a outros títulos do gênero, mas até certo ponto.


Depois da página 2, o jogo se transforma apenas num sandbox roteirizado – o que não é ruim também, jamais, mas cabe a observação para você dosar a (falsa) sensação de liberdade que a aventura oferece e saber o tipo de expectativa que se pode criar.


É importante registrar que se trata de um título lançado em 2010, portanto, a variedade de missões segue o padrão daquela época: entrar num galpão e eliminar capangas; roubar bancos; assumir uma falsa identidade (com uniformes adulterados); infiltrar-se em museus; realizar fugas espetaculares etc. Quando há uma brecha, lojas de roupas e restaurantes permitem que Vito tenha um lapso de distração.


<p><img src="http://gazetadonortao.com.br/envios/4552c58ef3d56447a780af8e90a49e63d59f2992.jpg" style="float: left; width: 100%; margin: 10px 0;" /></p><p><img src="http://gazetadonortao.com.br/envios/eec3200013309de29b9278c6a3e790efb8b18247.jpg" style="float: left; width: 100%; margin: 10px 0;" /></p><p><img src="http://gazetadonortao.com.br/envios/55db5eac2dc4c9be14321f8475e2a28abe35b974.jpg" style="float: left; width: 100%; margin: 10px 0;" /></p><p><img src="http://gazetadonortao.com.br/envios/ee01b6d0416048952157883ae84f7cdc09c7037c.jpg" style="float: left; width: 100%; margin: 10px 0;" /></p><p><img src="http://gazetadonortao.com.br/envios/2ef986918a835030f56f7b49dafb4d907cb74c9c.jpg" style="float: left; width: 100%; margin: 10px 0;" /></p><p><img src="http://gazetadonortao.com.br/envios/5ec7dd70e8171138fb748c59af5237ee0e28f084.jpg" style="float: left; width: 100%; margin: 10px 0;" /></p>


Visual? Aprovado. Performance? Então...


Enquanto remasterização, Mafia 2 faz um bom trabalho nas expressões faciais: muitas foram retrabalhadas para que se adequem a um padrão mínimo da atualidade, embora isso só tenha acontecido com os personagens principais.


Diversos NPCs secundários estão com o mesmíssimo rosto estampado no Xbox 360 e do PS3, só que em resolução maior, copiados e colados, junto aos sinais de desgaste naturais do tempo. Ainda assim, o saldo é satisfatório.


A iluminação ganhou um belo tratamento. Já a performance vai dos 30 fps pra zero numa disparada e volta


A iluminação ganhou um belo tratamento, notável especialmente durante a noite, quando as fontes de luz ficam mais vistosas em postes, faróis e ambientes internos. O “crepúsculo” gerado pelo HDR oferece boa suavização no contraste entre o claro e o escuro.


Já o frame-rate é assombroso. As quedas na taxa de quadros por segundo acontecem de duas formas: continuamente, isto é, o frame-rate propriamente dito, quando o índice cai e o jogo fica lento; e o “frame-time”, quando a jogatina sofre de breves congeladas de tela, às vezes por segundos, e depois volta ao normal. Ou seja, sim, vai de 30 a zero fps numa disparada e regressa. Daí nascem as travadinhas constantes, que dão aflição aos olhos – peritos ou não, tanto faz. Igual coceira: sempre incomoda.


Esses problemas são recorrentes durante a experiência em inúmeras circunstâncias: ao entrar num túnel, virar uma esquina, se deparar com muitos carros...fogo, então? O tombo é de 15 a 20 fps – e não dura pouco. 


Em se tratando de remaster de um jogo de 2010 em pleno 2020, é chato se sujeitar a esperar por atualizações para corrigir esse tipo de coisa, certo? Devíamos ter trocado esse disco há muito tempo.


Outro problema técnico que formigou os ouvidos é a mixagem de som: em alguns diálogos, a voz dos personagens fica suja, áspera e com ruídos, como se o volume estivesse estourando, sinal de má codificação na hora de compilar os áudios do jogo de 2010.


<p><img src="http://gazetadonortao.com.br/envios/41bb32b7d33d30b934f162e81eadffcdf063e717.jpg" style="float: left; width: 100%; margin: 10px 0;" /></p>


Sistema de cobertura: envelheceu bem!


É curioso que, em meio a esse fogo cruzado de problemas técnicos relativos à performance, o sistema de cobertura do jogo ainda funciona muito bem, quando a queda de frames não corta o barato, obviamente.


O departamento de tiroteios continua em ordem e plenamente funcional em Mafia 2. Retícula afiada, lisa e precisa. Recomendo expressamente que você jogue no modo difícil para que o combate tenha mais imersão na hora de intercalar entre proteção e exposição para atirar. Gears of War fez escola em jogos de ação em terceira pessoa, e Mafia 2 bebe muito bem dessa fonte.


<p><img src="http://gazetadonortao.com.br/envios/15904a80bee35ed912d01d9e6a5b92ab7667dd08.jpg" style="float: left; width: 100%; margin: 10px 0;" /></p>


Veredito


Maculado por alguns problemas técnicos de áudio e performance que, nos autos de 2020, jamais deveriam estar ali, Mafia 2 está longe de ser a melhor remasterização que você vai jogar, mas olha só: também está distante de ser a pior. E sim: o jogo tem textos em português brasileiro.


Trata-se de uma experiência que faz o mínimo para se tornar agradável na modernidade. O duro é pensar que poderia ser mais que isso, tecnicamente falando. Ainda assim, as expressões faciais retrabalhadas, a iluminação e o uso decente do HDR garantem a Mafia 2 o ingresso para se infiltrar numa nova camada de jogadores que precisam conhecer esse glamour, inspirado em obras como O Poderoso ChefãoOs Bons CompanheirosCasinoEra uma Vez na América, só para citar alguns.


O jogo também pavimenta o terreno à chegada do remake do 1, previsto para o dia 28 de agosto. É nele que podemos depositar nossas maiores expectativas. Se a gente quiser sonhar um pouco mais alto, quem sabe a retomada da franquia, com essa trilogia reunida, signifique um possível anúncio de Mafia 4 no futuro. Por enquanto, a macarronada segue em banho-maria.


Mafia II: Definitive Edition foi gentilmente cedido pela 2K Games para a realização desta análise.


 

FONTE: voxel

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